O investidor nordestino e o Tesouro Direto

Até o ano de 2002, o investidor pessoa física acessava os títulos do Governo Federal através de intermediários, representados por instituições financeiras que compravam estes títulos e os distribuíam às pessoas físicas através de cotas de fundos. Claro, havia um bom custo de intermediação, que se tornava receita para as instituições financeiras.

No ano de 2002, em parceria com a BM&F Bovespa (Atual B3), o Tesouro Nacional criou o programa chamado de Tesouro Direto, que consiste em dar acesso aos investidores pessoa física, através da internet, à compra e venda de títulos da dívida pública federal. Este programa criou um relacionamento quase que direto do investidor com o Tesouro Nacional, pois há a necessidade de se ter uma conta em uma corretora de valores. Apesar desta exigência, o programa apresenta-se de forma extremamente vantajosa ao investidor quando comparado com a forma indireta de compra vigente até então.

Só nos últimos 12 meses, de julho de 2017 a junho de 2018, a quantidade de investidores cadastrados na base do Tesouro Direto que são moradores da região Nordeste do país cresceu 64,3%. Ou seja, em julho de 2017, havia 143.722 investidores, já em junho de 2018 foram registrados 236.143. A concentração no eixo Sul-Sudeste ainda é brutal em relação às demais, já que estas duas regiões juntas representam 79,2% da base total de investidores cadastrados, sendo 64,6% para o sudeste e 14,5% representados pelos moradores da região Sul do país.

Apesar das enormes vantagens trazidas ao investidor pelo programa, ainda há pouca representatividade quando comparamos ao total da população. O programa contava com 2.289.949 investidores ativos em junho de 2018. Para um contingente populacional de 210 milhões de brasileiros, apenas 1% da população está cadastrada no Tesouro Direto. Já o mesmo indicador para a população do Nordeste é de minúsculos 0,44%.

Ao contrário do que pode pensar a maior parte da população, o Tesouro Direto não é exclusivo aos grandes investidores. A partir de pouco mais de R$ 30 já é possível aplicar. O segredo fica na escolha da corretora de valores e do tipo de título a adquirir, já que algumas cobram uma taxa, outras não. O custo do investimento, em uma corretora que não cobra taxa, é de 0,3% ao ano sobre o total do valor investido, pagos à B3. Já em uma corretora que cobra, seriam os 0,3% ao ano à B3, adicionado ao percentual da corretagem.

 

Paulo Marostica
Planejador financeiro e sócio da Matriz Contábil
pmarostica@matrizcontabil.com.br
Publicado no Diário de Pernambuco em: 10/09/2018 03:00 Atualizado em: 10/09/2018 09:45
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