Documentos que são necessários na declaração para o Imposto de Renda

Para a declaração anual de Imposto de Renda, não basta se preocupar com o preenchimento dos formulários e o prazo limite. A preparação para a entrega é fundamental, pois um levantamento de dados incompleto ou incorreto pode lhe incluir na malha fina, levando a prestar contas à Receita, retardando uma possível restituição ou até acarretando multa.

Verifique a seguir, os principais documentos que você deve providenciar e que servirão de base para uma declaração bem estruturada, clara e eficiente, evitando problemas e dores de cabeça.

 1. Documentos pessoais

É óbvio que precisará deles, mas ainda assim podem acontecer esquecimentos e você não estarem à mão no momento do preenchimento.

  • Documento de identificação com CPF e RG;
  • Endereço atualizado e indicação se houve ou não mudança de endereço no ano anterior;
  • Número do título de eleitor;
  • Número do recibo da declaração do ano anterior;
  • Número de caastro no INSS (PIS ou NIT) para autônomos;
  • Dados da conta bancária para recebimento da restituição de imposto, se for o caso.

 2. Documentos pessoais

Toda pessoa que for registrada em uma empresa precisa informar os rendimentos que foram emitidos para ela e, com isso, comprovar as informações que serão enviadas à Receita Federal na declaração.

Quem é contratado deve informar todos os recebimentos, incluindo férias e 13º além dos salários mensais. Os descontos de Imposto de Renda retidos e a contribuição previdenciária também devem ser incluídos.

Sendo empresário e retirando pró-labore, o documento demonstrativo indicará apenas o total acumulado e os descontos de INSS e de IR. As retiradas de lucro também devem ser informadas no preenchimento.

 3. Extratos de rendimento de aplicações e/ou de investimentos

Investimentos devem ser declarados no imposto de renda. Produtos financeiros, seja de renda variada ou fixa, também devem ser informados. Corretoras ou instituições financeiras emitem extratos contendo estas informações para que não aconteçam erros ou faltas de dados.

  • Quais os produtos do mercado financeiro;
  • Quais os valores aplicados;
  • O lucro nos mesmos;
  • Dividendos recebidos;
  • Perdas que tenham ocorrido;
  • Impostos que tenham sido retidos.

 4. Aluguéis

Se você paga aluguel, organize todos os recibos, pois eles devem ser declarados.

5. Previdência privada

Guarde os documentos recebidos da instituição para informar o quanto contribuiu, os ganhos que já tenha realizado e os impostos que incidiram sobre o seu investimento.

 6. CPF dos seus dependentes

Todos os dependentes devem estar incluídos na declaração do titular. Neste ano, todos os que tiverem a partir de oito anos, devem estar inscritos no Cadastro de Pessoa Física. Se possível, providencie para todos, pois nos próximos anos, novas reduções na idade exigida para estar inscrito no CPF acontecerão.

 7. Despesas médicas

Algumas despesas médicas são admitidas para as restituições. Portanto, inclua na documentação levantada, faturas e notas que as comprovem. Se o beneficiário do serviço de saúde não for o titular, for um dependente como filho ou cônjuge, organize também os dados de quem foi atendido ou tratado.

 8. Imóveis e veículos

Todos os patrimônios devem ter os documentos de registro de cada um deles informado. Para imóveis, é preciso ter nas mãos a data de aquisição, a área do imóvel,o  registro de inscrição no órgão público e registro no Cartório de Imóveis. Para veículos, incluindo aeronaves e embarcações, é exigido número do RENAVAM e/ou registro no correspondente órgão fiscalizador.

 9. Despesas com educação

Todos os gastos com educação precisam ser declarados e comprovados com base em documentos. Valores com mensalidades e matrículas, principalmente, podem ser importantes para dedução.

10. CPF e CNPJ de pagamentos e recebimentos

Trabalhadores que não são assalariados, que tenham prestado serviços como autônomos, precisam identificar as fontes dos pagamentos que tenham recebido, seja com CPF ou com CNPJ. Quem pagou profissionais liberais também precisa identifica-los.

 11. Consórcios, financiamentos e outras dívidas

Contratos com instituições financeiras ou formalizados com pessoas físicas como empréstimos, devem ser detalhados.

 12. Doações

Doações feitas ou recebidas devem ser informadas à Receita Federal igualmente e pelas duas partes, se baseando nas informações do recibo que formalizou a transação.

 

 13. Rendimentos financeiros

Solicite ao banco um extrato da sua conta para fins de declaração de renda, constando nele o saldo no dia 31 de dezembro do ano anterior. É preciso ter este extrato de todas as contas que possua.

 14. Rendimentos da Previdência

Aposentados e pensionistas devem declarar os seus benefícios. No site da Previdência Social é possível emitir um extrato que inclui os valores recebidos e os descontos de INSS sobre eles.

Planejamento financeiro é fundamental na hora de sair da casa dos pais

Ter uma organização do orçamento é importante para assumir as responsabilidades

Vontade de ter mais liberdade, de ter o seu espaço e de querer tocar a vida de forma mais independente não são os únicos fatores que devem ser levados em consideração na hora de sair da casa dos pais. Além disso, é preciso ter um planejamento financeiro para assumir as responsabilidades para que as demandas caibam dentro do orçamento. Afinal de contas, ninguém vai sair da casa dos pais pensando em voltar no primeiro aperto financeiro. Portanto, é preciso ficar bastante atento aos futuros gastos e ter um planejamento financeiro antes de ter a sua própria casa.

No Brasil, é crescente o percentual de jovens entre 25 e 34 anos que continuam vivendo na casa dos pais. Para o planejador financeiro Paulo Marostica, em muitos casos, um dos fatores para a saída mais tardia é a questão do padrão de vida. “O brasileiro de classe média e classe média alta só quer sair da casa dos pais quando tem condições de ter o mesmo padrão de vida que os pais podem dar. O detalhe é que ele esquece que os pais estão em uma velocidade da carreira de 20 a 30 anos, enquanto os filhos querem ter isso logo”, afirma.

Ele cita o exemplo que um jovem sai do ensino médio e vai trabalhar ganhando um salário mínimo mais benefício aos 18 anos e, se decide morar sozinho, provavelmente não vai conseguir morar em um bairro na mesma localização e no mesmo padrão que os pais. “Mesmo que ele alugue um apartamento mais barato, por R$ 1000, por exemplo, e resolva dividir com mais dois amigos, vai gastar metade do seu orçamento apenas no aluguel. Ou seja, essa estrutura o leva a ficar mais tempo na casa dos pais”, esclarece Paulo Marostica.

Porém, em alguns casos, o planejador financeiro aconselha a permanência por mais tempo na casa dos pais, principalmente no que diz respeito a fazer uma reserva financeira antes de se mudar para sua própria casa. “Se as relações pessoais e exigências de comportamento dos pais cabem no estilo de vida a que o jovem se propõe, é bom que ele fique o tempo suficiente para poupar o máximo possível para ter uma estrutura financeira melhor na hora de alçar o próprio voo”, sugere.

“Primeiro é preciso poder para depois querer”

Porém, se chegou a hora de deixar a casa dos pais, alguns cuidados são necessários. “Primeiro é preciso poder para depois querer”, alerta o planejador financeiro. Ele afirma que, neste estágio inicial da vida, muitas vezes é melhor pagar um aluguel do que se comprometer a comprar um imóvel. “A carreira profissional não está totalmente estável ainda e pode surgir uma oportunidade melhor de emprego em outra cidade. Para comprar um imóvel e vender depois, ele vai deixar entre 5% e 6% na mesa. É melhor, neste caso, pagar um aluguel e investir em títulos, que vão render e, mais tarde, eles serão vendidos para comprar um imóvel mais definitivo”, explica.

Ter estabilidade profissional também é importante. “Não na questão de ter um emprego estável em determinada empresa, mas de ter segurança profissional na profissão de uma forma geral para garantir uma maturidade de renda para arcar as despesas sem afetar a capacidade de poupança”, afirma Marostica. Além disso, em muitos casos, a saída da casa dos pais está atrelada à ideia de formar uma família. “Neste caso, é bom porque porque a pessoa pode compor a renda com o companheiro, ou seja, vai poder dividir as despesas”, completa.

Por fim, é preciso fazer um balanço de gastos, colocar tudo na ponta do papel para entender se as contas cabem no orçamento. “Tem que colocar todos os gastos: telecomunicação, condomínio, alimentação, faxina, aluguel ou prestação são alguns exemplos dos gastos que serão assumidos”, detalha o planejador financeiro. Ele afirma que nesta idade não é hora de se preocupar com conforto, mas sim em ter uma poupança.

“Na hora de sair da casa dos pais, a pessoa vai assumir um monte de despesas e atitudes no dia a dia podem ajudar a economizar. A ideia é não ficar na base da preguiça, por exemplo. Se tem um estacionamento de R$ 10 ou você pode estacionar de graça e caminhar 50 metros, escolha a segunda opção. São pequenas despesas no dia a dia que podem fazer a diferença no orçamento no fim do mês”, diz.

Outras atitudes simples podem fazer com que os gastos sejam menores e se adequem melhor ao bolso. “As empresas oferecem possibilidades inteligentes de combos, como internet mais televisão a cabo. No caso de um casal, eles podem avaliar se é preciso ter dois carros. É preciso avaliar o que vai comprar no supermercado ou se vai comer mais fora para não gastar sem necessidade”, complementa Paulo Marostica.

Cinco dicas para quem pretende sair da casa dos pais:

  • Coloque no papel todos os futuros gastos, seja com aluguel, prestação, contas de energia, água, gás e telefonia, além de uma previsão de gastos com supermercado, faxina e saídas para ver se a mudança é viável;
  • Considere gastos iniciais para a mudança e para a estrutura da nova casa, como móveis, eletrodomésticos e utensílios;
  • Caso o orçamento vá ficar muito apertado, cogite dividir o apartamento com outra pessoa e, assim, dividir os gastos também;
  • Encontre um imóvel que caiba no seu bolso, seja o aluguel ou o valor da prestação;
  • Antes de se mudar, faça uma reserva financeira para não ser pego desprevenido e precisar voltar para a casa dos pais no primeiro imprevisto;

 

Publicado em Paulo Marostica Educação Financeira e Gestão Patrimonial em 12 de abril de 2017

Paulo Marostica: Queda nos juros traz oportunidades de investimento em 2017

Paulo Marostica é planejador financeiro, embaixador na região N/NE da Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros

O fator mais interessante a se considerar neste ano que acaba de começar é que as taxas de juros devem cair consideravelmente. No último dia 11, o Copom reduziu a taxa básica em 0,75%. A inflação já emite sinais de arrefecimento e, como prova, o IPCA acumulado para o ano de 2016 fechou em 6,29%, dentro do teto do regime de metas de inflação. Esses dois fatos melhoram não apenas as condições de investimento no país, como também a percepção de risco do investidor estrangeiro. É que com as taxas de juros se mantendo elevadas, a capacidade financeira do Estado brasileiro em honrar suas dívidas e fazer investimentos pode ser ainda mais prejudicada.

Boa parte dos investidores até já deve ter a noção de que os juros vão cair, mas daí surge a dúvida: é preciso tomar alguma atitude? O investidor comum – ou mal assessorado – pode perceber este movimento tardiamente, perdendo assim a “virada de chave” do mercado. Para ilustrar, a maior parte dos fundos de renda fixa no Brasil deve ter rendido algo entre 11% e 14% em 2016, trazendo ao investidor um ganho real (descontando a inflação) que pode variar entre 4% e 7%. Entretanto, este ganho deve ser menor em 2017. Para o investidor que faz poupança de longo prazo, pensando em uma aposentadoria confortável, há uma oportunidade de aplicar o dinheiro de forma a ter melhores retornos e manter esse rendimento atual mais alto por alguns anos, mesmo com a queda das taxas. Mas como?

A resposta é simples: investindo no Tesouro Direto. Para exemplificar as vantagens, podemos analisar as taxas que foram pactuadas no último dia 4 de janeiro. O retorno será dado pela reposição do IPCA (inflação) adicionado de 5,73%. Este é o valor bruto, pois ainda incidirão impostos entre 15% e 22,5% sobre os rendimentos, de acordo com o tempo que o recurso ficou investido. Quanto mais o dinheiro ficar investido, menor será o imposto. O valor alocado nestes títulos pode ser sacado pelo investidor a qualquer momento, mas é preciso ter atenção. Para garantir o montante pactuado, é necessário aguardar o vencimento do título. Caso o investidor decida sacar antes, pode ganhar bem mais, em um cenário de queda de juros. Recomenda-se, nesses casos, consultar um profissional especialista em investimentos.

Voltando aos fundos, em se tratando daqueles de renda fixa, estes investem quase 80% dos recursos captados de investidores como você no mesmíssimo Tesouro Direto, mas com uma sutil diferença: eles cobram uma taxa de administração para este “serviço”. Por isso, muitas vezes é melhor buscar conhecer as opções de investimento e tomar as rédeas do próprio dinheiro, tendo em vista as oportunidades que o redesenho das taxas de juros pode criar para 2017.

 

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 19/01/2017 07:11